terça-feira, 6 de outubro de 2009

carta de separação



É tudo. Menos amor. Deve ser uma nesga de uma migalha qualquer que você dá nome de sentimento. Mas não é. Você não sabe nem o que é isso. E não sabe o que é o amor. O amor não consome o outro. Não engessa o riso. Não finge estabilidade e nem gozo. O amor não destrói. Não estressa. Não expõe os nervos. Não expõe. Não sufoca. O amor não deixa dúvidas. Não existe cobrança ou ameaça quando você ama alguém. Amor não destrói família. Não impõe desejos. Não há imposição. O amor não controla a respiração e muito menos a conta bancária. Não existe monólogo no amor e você não entende. Você fala de amor, você fala excessivamente, mas não sabe nada. Você simplesmente não sabe de nada. Não sabe que o amor não é novela. Não é ditado. Amor não se compra. Você não pode me comprar. Amor não enche só barriga. Alivia a alma. Mas você não sabe. Você perde o seu tempo esbravejando e arquitetando, besteira. Cada amor tem uma história. Você luta de forma insana para ter uma, mas você nunca vai ter, porque, honestamente, você não sabe o que é o amor. Adeus.




***





3 comentários:

Marilene Loureiro disse...

....eu li e entendo...mais como vc diz ...cada um escreve sua historia... uns conseguem outros não...(rsrrs). PARABÉNS !!!! Por saber expressar o que sente em palavras..., e isso faz bem....
Um beijo mina Linda!!!
Mari

Gláucia Santinello disse...

amo vc, Mari. beijo.

dimitri.isidoro disse...

Muito bonito este conto. Particularmente ele me tocou hoje. Me recordei do título da música dos Los Hermanos, "Todo carnaval tem seu fim", que prova que nem toda alegria ou simulacro dela é duradoura, principalmente quando é uma via de mão única. Parafraseando Fernando Pessoa(Ricardo Reis),"Para ser grande, sê inteiro", este é o príncipio do amor, ser devotado e inteiro ou acaba, tornando-se saudades e lembranças, "que dos olhos desfez a última chama".

Beijos!